ment Como se desenvolvem os comportamentos antissociais ? | Colisor de Contingências
  • Ciência Comportamental Aplicada

    Como se desenvolvem os comportamentos antissociais ?


    Gabriela Sousa
    Gabriela_psousa@hotmail.com
    Discente do 5º Período de Psicologia UNIPAM

    Antissocial é a atitude daquele que afronta o convívio social de alguma forma, seja por meio de mentira, manipulação, xingamento ou agressão física. A questão é que, muitas vezes, as pessoas dizem que alguém é antissocial porque é da sua “natureza” agir assim, o que negligencia as influências que ela recebeu do seu ambiente, consideradas primordiais para a aprendizagem dos comportamentos antissociais. Que influências são estas? 

    O que pode levar a criança a desenvolver comportamento
    antissocial? 

    Diante do comportamento indesejado dos filhos, os pais, muitas vezes, passam a afirmar que a criança é birrenta, manhosa, nervosa, que chora demais. Contudo, eles devem observar o que acontece antes e após o comportamento da criança. Exemplo: 

    1. A criança está assistindo à televisão;
    2. A mãe diz que é hora de desligar à TV e assim faz;
    3. A criança chora e grita mandando a mãe ligar a TV;
    4. A mãe, que quer que os gritos e choro da criança cessem, liga a TV novamente.

    O que acontece antes do comportamento de birra da criança é a ação da mãe que desliga a televisão. A consequência dos comportamentos de choro e gritos é que a criança consegue continuar assistindo à TV. Ela acabou de aprender que da próxima vez que a mãe fizer algo de que ela não goste, que poderá chorar e gritar para conseguir aquilo que quer. 

    Birra de criança. É difícil, mas é preciso resistir.
    Esses comportamentos (choro, gritos), apesar de serem desagradáveis para a mãe, são aparentemente inofensivos quando vindos de uma criança. Contudo, com o passar do tempo, os comportamentos vão sendo reforçados, “fortalecidos” - pois a mãe continua cedendo às suas birras -, e ampliados – à medida que a criança aprende outras formas de agir para conseguir o que quer. criança pode manipular através da “manha”; ela altera a voz a fim de parecer mais infantilizada, por exemplo, o que pode levar os pais a cederem. E, em outros casos, dizer: “paizinho, mãezinha, me deixa ver só mais um pouquinho de TV?”, ou chantagear: “vocês não me deixam ver mais TV porque não gostam de mim!”.

    Com o tempo a criança passa a agir dessa forma em outros contextos de sua vida. Em decorrência disso, que as pessoas tendem a se afastar dela, rotulando-a como “desagradável”, “birrenta”, quando, na verdade, houve uma participação dos pais no processo de instalação destes comportamentos. 

    Na escola, ela pode ser rejeitada pelos colegas. Tende a achar que deve ser agressiva com eles para resolver seus problemas e conseguir o que quer. Também pode interpretar as atitudes dos outros como uma forma de agressividade. A criança se junta a colegas que têm comportamentos semelhantes aos seus, o que pode piorar ainda mais esse quadro.

    Diante da dificuldade de lidar com a criança, os próprios pais a deixam de lado. Posteriormente, quando o filho, já adolescente,deseja sair à noite e voltar no outro dia, e a mãe, apesar do alarde do filho, mantém sua decisão, ele poderá mentir, manipular ou usar da agressão para obter aquilo que quer. Ele tem aprendido, desde cedo, que estes recursos geralmente funcionam. Há ainda a possibilidade de se envolver na criminalidade. Assim faz porque, ao longo de sua história, não aprendeu a tolerar frustração ou ter autocontrole – pois conseguia sempre o que queria e raramente precisava lidar com a raiva e a tristeza que sentia quando era contrariado – e acredita que pode fazer qualquer coisa para conseguir o que quer. 

    Manter-se firme diante das regras, colocar limites, jamais ceder aos comportamentos inapropriados de manipulação, manha e birra de uma criança são atitudes fundamentais para criar um adulto saudável e evitar aborrecimentos e sofrimento para a família, para a sociedade e para a própria criança e futuro adulto, dando-lhe oportunidades para aprender a lidar com suas frustrações e problemas. 

    Os pais podem tentar mudar a postura diante do filho, não cedendo mais aos seus comportamentos inapropriados. Contudo, ele pode continuar se comportando da mesma forma. Isso acontece porque quando um comportamento é reforçado, pode levar tempo até que ele não apareça mais, o que demora ainda mais quando isso já aconteceu várias vezes e por um período maior de tempo. Os pais devem ter paciência e ignorar totalmente os comportamentos manipuladores da criança e, se for difícil suportar – não havendo riscos para a criança -, se afastar do local em que ela está. Nesse processo é preciso ter atenção e avaliar se alguma atitude dos pais pode estar fornecendo alguma forma de atenção para o filho. A atenção, mesmo que seja através de uma “bronca”, reforça o comportamento do filho que mais provavelmente continua agindo de modo inapropriado.

    Não ceder à “birra” e manipulação do filho são atitudes que os pais devem adotar na educação, contudo, não são as únicas. É importante expressar afeto, brincar com a criança e incentivar os bons comportamentos. É preciso ter atenção, procurando avaliar as consequências dos próprios comportamentos na interação com o filho. 

    Diante de maiores dificuldades, o psicólogo poderá identificar os comportamentos-problema da criança ou adolescente e traçar, junto aos seus responsáveis, estratégias mais adequadas para a interação familiar.  Esse modelo de compreensão apresentado no texto se baseia na Ciência da Análise Experimental do Comportamento e os profissionais que trabalham com a abordagem podem aplicá-lo. É sempre importante dizer que, quando se trata de educação, quanto antes agir, maiores são as chances de que alterações positivas sejam feitas. Contudo, nunca é tarde para oferecer uma educação ainda melhor para o próprio filho. 


    SUGESTÃO DE LEITURA E MATERIAL CONSULTADO 

    WEBER, Lídia. Eduque com carinho: equilíbrio entre amor e limites. Curitiba : Juruá, 2005

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